Nutricionista na cirurgia bariátrica: sua importante função

Nutricionista na cirurgia bariátrica- sua importante função

A cirurgia bariátrica e metabólica tem como objetivo melhorar a qualidade de vida dos pacientes obesos através da promoção e manutenção da perda de peso programada. É impossível tratar a obesidade sem que haja uma atuação eficiente e integrada de uma equipe de especialistas, entre eles o nutricionista.

Quando o paciente é orientado a realizar a cirurgia de obesidade (redução de estômago), uma equipe transdisciplinar passa a acompanhá-lo durante todas as fases do processo, da preparação ao pós-operatório. Neste sentido, a atuação do nutricionista na equipe de cirurgia bariátrica é primordial.

Neste artigo, descubra mais sobre o importante papel do nutricionista na cirurgia bariátrica. Acompanhe a seguir.

Como é a atuação do nutricionista na equipe de cirurgia bariátrica?

A atuação do nutricionista e de toda a equipe transdisciplinar na cirurgia bariátrica deve ser pautada por guidelines internacionais que orientarão condutas nas diversas etapas do processo cirúrgico.

Nesse cenário, a atuação do nutricionista na cirurgia bariátrica é muito mais que indicar a dieta correta a ser seguida pelo paciente. Ele é o responsável por orientar, montar um planejamento personalizado com base em uma alimentação saudável e diversificada, ajudar nas mudanças de hábitos alimentares, construir um novo estilo de vida, corrigir carências nutricionais, prescrever macro e micronutrientes e garantir a perda de peso com manutenção da saúde.

O nutricionista no pré-operatório de cirurgia bariátrica

A preparação pré-operatória inicia antes mesmo da própria cirurgia. É importante haver correções de eventuais deficiências nutricionais presentes em pré-operatório, corrigir maus hábitos alimentares, instituir uma rotina de adequações comportamentais, identificar os gatilhos de eventuais compulsões alimentares, reduzir o risco cirúrgico através da perda de peso e abordar com o paciente e seus familiares as mudanças que ocorrerão no pós-operatório.

Nesse momento, é fundamental que o paciente compreenda a importância do seu comprometimento com bons resultados e que desenvolva uma relação de empatia e confiança com seu nutricionista.

O nutricionista no pós-operatório de cirurgia bariátrica

Após a cirurgia bariátrica, a anatomia do futuro ex-obeso estará alterada: estômago reduzido para uma capacidade gástrica de 50ml e parte do intestino excluído do trajeto alimentar. Tudo isso visando promover uma perda ponderal através da restrição de quantidade alimentar e nutrientes a serem absorvidos. Sendo assim, é importante que ajudemos nossos pacientes a fazer escolhas alimentares mais adequadas, que saibam evoluir as consistências alimentares de modo a manter a integridade dos grampeamentos cirúrgicos e suplementar adequadamente nutrientes (por via oral, endovenosa ou intramuscular) que sabemos por prática clínica e revisão de literatura que ficarão depletados com o tempo.

Desta forma, o acompanhamento nutricional buscará o bem-estar físico e emocional do nosso paciente, através da seleção dos alimentos que contenham os nutrientes mais saudáveis e que estejam adequados às necessidades de cada indivíduo para que a rápida perda de peso não leve à desnutrição ou ao temível reganho de peso, caso o paciente não compreenda, dede antes de operar, que bisturi não faz milagre isoladamente.

De maneira geral, a principal mudança na alimentação após a cirurgia é uma diminuição importante na quantidade de alimentos consumidos diariamente devido a redução do estômago. Porém, outros cuidados com a alimentação são fundamentais. Pode-se dividir o cuidado com a alimentação em cinco fases após a cirurgia:

  • 1º fase – fase da alimentação líquida: esta fase compreende as duas primeiras semanas após a cirurgia e caracteriza-se como sendo uma fase de adaptação. A alimentação é liquida e constituída de pequenos volumes (em torno de 50 ml a cada 30 minutos) e tem como principal objetivo o repouso gástrico, a adaptação aos pequenos volumes e a hidratação
  • 2º fase – fase da evolução de consistência: de acordo com a tolerância e as necessidades individuais, a alimentação vai evoluindo de líquida para pastosa com a introdução de preparações liquidificadas, cremes e papinhas ralas. A evolução de cada paciente é variável de forma que a escolha de cada alimento deve ser acompanhada cuidadosamente para evitar desconforto digestivo como dor, náuseas e vômitos. Esta fase tem um tempo de duração diferente para cada indivíduo. Porém, em média, dura em torno de 02 semanas.
  • 3º fase – fase da seleção qualitativa e mastigação exaustiva: passado o primeiro mês após a cirurgia, inicia-se uma fase onde a seleção dos alimentos é de fundamental importância pois, considerando que as quantidades ingeridas diariamente continuam muito pequenas, deve-se dar preferência aos alimentos mais nutritivos escolhendo fontes diárias de proteína, ferro, cálcio e vitaminas. A duração desta fase também varia individualmente e dura em média 01 mês.
  • 4º fase – fase da otimização da dieta: nesta fase a alimentação vai evoluindo gradativamente para uma consistência cada vez mais próxima do ideal para uma nutrição satisfatória. Geralmente, esta fase ocorre a partir do 3º mês após a cirurgia quando quase todos os alimentos começam a ser introduzidos na alimentação diária. O cuidado com a escolha dos alimentos nutritivos deve continuar pois as quantidades ingeridas diariamente continuam pequenas. Nesta fase o paciente pode ser capaz de selecionar os alimentos que lhe tragam mais conforto, satisfação e qualidade nutricional.
  • 5º fase – fase da adaptação final e independência alimentar: esta fase deve acompanhar o paciente a partir do 4º mês e, como nas fases anteriores, também evolui de acordo com as características individuais podendo iniciar-se um pouco antes ou um pouco depois do 4º mês. A partir desta fase, um acompanhamento periódico faz-se necessário somente para o acompanhamento da evolução de peso e levantamento de informações para identificar se existem carências nutricionais como, por exemplo, a anemia. O paciente já tem bastante segurança na escolha dos alimentos e está apto a compreender quais são os alimentos ricos em proteínas, glicídios e lipídios, cálcio, ferro, vitamina A,vitamina C, folatos além de outras propriedades nutricionais.

Uma boa pedida para o paciente bariátrico é manter-se firme nos preceitos desta pirâmide alimentar, onde as principais escolhas partam da base. O topo da pirâmide….Ahhhh, deixem para o vizinho. O corpo e mente agradecerão. E sua nutricionista ficará cheia de orgulho!

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