Dicas

a) A cirurgia não deve ser realizada até que sejam avaliados os seguintes itens:

A cirurgia da perda de peso não é uma cirurgia cosmética.
A decisão da melhor técnica cirúrgica a ser adotada exige uma avaliação de toda a equipe interdisciplinar dos riscos e benefícios e do perfil do paciente, devendo sempre ser levada em consideração a vontade e opinião do paciente.
O sucesso da cirurgia bariátrica depende de mudanças em seu estilo de vida, com a incorporação de planos alimentares saudáveis, exercícios físicos, uso de suplementos nutricionais e mudança de comportamento.
Podem surgir problemas após a cirurgia, o que poderá levar a uma nova operação.
Em uma pesquisa com cerca de 10.000 pacientes, o índice de mortalidade para a cirurgia da perda de peso foi de 0,3%.

 

b) Cirurgia Bariátrica é uma intervenção radical. Deverá ter indicações claras.

Os métodos cirúrgicos para tratar da obesidade são, na verdade, muito radicais e só podem e devem ser usados em situações extremas. Seria absurdo indicá-los para alguém com cinco ou dez quilos a mais ou que está infeliz com sua estética corporal. A cirurgia da obesidade só se aplica aos casos extremos e graves, em que o excesso de peso causa sérios danos à saúde e implica risco de morte. Só nesses casos cabe fazer uma interferência tão radical sobre o aparelho digestivo, que o torne menos capaz de receber alimentos e de oferecer energia ao organismo.

 

c) Quem não deve fazer a cirurgia de obesidade.

O Cirurgião Bariátrico é procurado por pessoas que estão um pouco acima do peso e que querem ser operadas para emagrecer mais depressa.
Essas são as consultas mais difíceis. Em geral, sem conhecer os detalhes da indicação cirúrgica, as pessoas vão ao consultório em busca de solução para algo que está sendo interpretado como obstáculo. Algumas, porém, que não se encaixam nos padrões da obesidade grave, também desejam submeter-se a esse tipo de cirurgia. Isso acontece especialmente com as mulheres que, mais do que os homens, sofrem forte pressão social do ponto de vista estético. Além disso, a obsessão pela magreza tornou-se uma constante entre elas.
Por isso, não é raro atender uma senhora com 10kg acima do peso ideal, insatisfeita com a vida e infeliz no casamento, que quer submeter-se a uma cirurgia de redução do estômago. É uma tarefa difícil convencê-las de que seu caso não é cirúrgico e que graus menores de obesidade podem responder bem a tratamentos mais conservadores. Não se justifica a indicação de uma cirurgia tão radical para alguém que não está correndo nenhum risco.
A cirurgia também está contra-indicada aos pacientes obesos mórbidos incapacitados de entender as implicações cirúrgicas, com deficiências neurológicas importantes, falhas dentárias sem possibilidade de correção, imaturidade óssea e sexual, drogadictos e etilistas descompensados.

 

d) Avaliação prévia das Condições Físicas, Emocionais e Nutricionais dos pacientes.

Em geral, hoje as pessoas que nos procuram já têm alguma informação a respeito da cirurgia no tratamento da obesidade. No entanto, é necessário verificar se o paciente se enquadra nos casos em que a cirurgia deve ser indicada porque se trata de um obeso grave e que apresenta doenças decorrentes da obesidade excessiva. Além disso, é preciso avaliar se ele tem condições pessoais e emocionais para enfrentar as grandes transformações que uma intervenção dessa envergadura pressupõe. É importante deixar claro principalmente os aspectos negativos, porque eles existem, para conscientizá-lo dos riscos e benefícios a que estará se expondo. Nesse momento, a relação médico/paciente deve ser franca e aberta. É também, imprescindível, uma avaliação das condições nutricionais pré-cirúrgicas, capaz de detectar e corrigir possíveis carências nutricionais, transtornos alimentares e hábitos alimentares incompatíveis com cirurgias restritivas e/ou disabsortivas.