Cirurgia do Diabetes ou Metabólica

Diabetes, assim como obesidade, é uma doença classificada como pandemia. Isso significa uma epidemia globalizada, ou seja, uma doença que saiu do controle dos médicos e cientistas. O Brasil é hoje o quarto país do mundo em número de diabetes e metade dos acometidos por essa doença estão sem diagnóstico.

Com isso, o impacto à saúde pública aumentou. Afinal, o futuro de um paciente diabético pode ser de complicações graves como: infarto, cegueira, insuficiência renal, e até eventual necessidade de amputação por problemas circulatórios. Dessa forma, houve um crescimento da mortalidade e morbidade desses pacientes, além de um aumento no custo pessoal, médico e social concomitante. E, infelizmente, grande parte desses pacientes são também obesos, piorando seu prognóstico.

Sabemos que o tratamento da obesidade e a perda de peso têm uma relação de melhora da diabetes. Cerca de 70 a 80% dos diabéticos são do tipo 2 e nesses pacientes a obesidade é o principal fator causador. Já era tratada há anos com medicação, adequação na alimentação e atividade física. Porém, menos da metade desses pacientes conseguiam resultados satisfatórios com o tratamento conservador. Se tivéssemos um tratamento efetivo e duradouro na perda ponderal, o diabético tipo 2 teria um controle ou remissão de sua doença, e por conseguinte, uma estabilização dos órgãos alvos: olhos (retinopatia diabética), coração (doenças coronarianas), fígado (esteatose hepática), rins (insuficiência renal) e sistema nervoso (neuropatia periférica). Desta forma, nós precisávamos de algo mais eficaz.

E, assim, veio a cirurgia bariátrica e metabólica, mostrando um impacto acima do esperado. O que impressionou a ciência mundial foi a rapidez no controle da glicemia, e conseqüentemente da diabetes, após o procedimento cirúrgico. O paciente apresenta uma melhora da glicemia em horas após a cirurgia, mostrando que o impacto não depende somente da perda de peso. Os efeitos desta cirurgia são estabelecidos nos primeiros 30 dias de pós-operatório, em especial nas cirurgias de gastroplastia com derivação intestinal do tipo Bypass Gástrico. Em pós-operatório, através da alteração anatômica, ocorre uma melhora da ação da insulina e por isso o controle da diabetes. Nasceu, então, a chamada cirurgia metabólica!

Cirurgia metabólica é definida como cirurgia do trato gastrintestinal com intenção de tratar diabetes e obesidade. Ela pode ser realizada através das técnicas cirúrgicas bariátricas já estabelecidas pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) e pela Federação Internacional de Cirurgia da Obesidade (IFSO). São elas: Gastroplastia com Derivação Intestinal (Bypass Gástrico), Gastrectomia Vertical (Sleeve Gástrico), Banda Gástrica Ajustável e Derivações Bilio-digestivas. Qualquer outro procedimento além destes é tratado como cirurgia experimental, ainda necessitando de evidência científica para ser realizado. A principal técnica de escolha para cirurgia metabólica hoje no mundo é o Bypass Gástrico, considerando seu mecanismo de ação, segurança, baixa morbidade e mortalidade, e bons resultados em longo prazo. Para melhores resultados, o paciente, assim como na cirurgia bariátrica, deve procurar Centros de Excelência com equipe multidisciplinar experiente no manejo da diabetes e obesidade.
Nos últimos 05 anos a comunidade científica foi inundada com diversos bons estudos corroborando o controle da Diabetes, diminuição das medicações associadas e melhora da qualidade de vida dos pacientes operados por cirurgia metabólica, inclusive em pacientes com IMC < 35 kg/m2. Para nós, especialistas em obesidade e diabetes, fica cada vez mais evidente que a indicação da cirurgia metabólica depende mais da gravidade da diabetes do que da obesidade do paciente em si.

Cirurgia Metabólica é o único tratamento, até o momento, capaz de produzir remissão do Diabetes tipo 2. Se você possui alguma dúvida, agende uma consulta conosco!

VANTAGENS:
• 90% dos pacientes operados apresentam remissão do diabetes durante 10 e 15 anos de pós-operatório, contra 5% dos não operados que seguem programas conservadores de controle da doença.
• Diversos estudos epidemiológicos mostram diminuição de até 92% da mortalidade relacionada ao diabetes no grupo operado quando comparado ao grupo controle mantido em tratamento conservador, num seguimento de até 16 anos.

DESVANTAGENS:
• Risco de fístulas (0,09% e 0,1%), trombose venosa das pernas e embolia pulmonar, obstrução intestinal ou sangramento
• É um cirurgia contra-indicada para diabéticos auto-imunes, diabetes do tipo 1 e 2 com doença muito avançada onde o pâncreas não tem reserva de células beta para produzir insulina.